quinta-feira, 14 de maio de 2009

BKK

Decidi depois de 6 meses voltar a escrever aqui. Apenas agora escrevo sobre os últimos dias em Bangkok e da viagem de regresso. Já passaram mais de 6 meses, muitas das memórias já começam a ficar esquecidas, muitas outras continuam e vão-se modificando, crescendo ou diminuindo, ganhando contornos que se vão moldando às fotografias que revisito frequentemente.
Se não me engano a última vez que escrevi ainda estava em Pakse no Laos, tinha terminado as viagens de bicicleta e voltava aos transportes convencionais….trocas de autocarros, preso a um banco horas e horas de viagem….Definitivamente parti do Laos e cheguei à Tailândia…tinha a viagem de avião marcada, mas devido aos problemas eu aconteceram em BKK todos os aeroportos estavam fechados…tive de ficar sem saber se haveria voo preso no Laos por uns dias, até que desisti de esperar e arranjei um autocarro para voltar….como é de esperar de alguém que esta habituado e decidir a hora da partida…cheguei em cima da hora ao autocarro…e tive de deixar toda a gente à espera enquanto desmontava as rodas da bicicleta…Parti num autocarro apertado, sujo, mas muito bem disposto…parti às 3 da tarde, naquela altura do ano anoitece às cinco…vi o meu ultimo pôr-do-sol através de uma janela poeirenta, aquela luz alaranjada dos trópicos, suave mas forte e filtrada pela poeira a acompanhar as ultimas musicas, mais uma viagem dentro da própria viagem, um tempo sem tempo, uma ausência do mundo que se vê pela janela, as últimas conversas improváveis com alguém também perdido no mundo, mesmo sendo missionário, parecia bem mais perdido…a luz, a companhia enquanto a paisagem avança em direcção à Tailândia.
Chegar à fronteira e a confusão habitual, visto, passaporte, dinheiro, bagagens e a bicicleta…cuidado com a bicicleta!! E com a habitual eficácia tailandesa passei para um autocarro espaçoso, tinha uma cama como assento, lençóis lavados, água, comida e ate casa de banho….entrei na noite e pouco depois entrava em BKK, cheguei eram quatro da manha…pior hora é difícil….
O Laos é subpovoado e BKk e sobrepovoado…parti de uma estação de autocarros com 3 lugares e cheguei a uma com centenas de autocarros e milhares de pessoas em movimento. A Ásia é um local de extremos. Poucos minutos depois tinha as rodas e as mochilas montadas na bicicleta, pude voltar a ligar o GPS e parti mais uma vez por BKK. As notícias de confrontos nos últimos dias não eram animadoras. Uma das imagens mais fortes desta viagem foi a chegada a BKK, horas a percorrer uma cidade semidesértica ao amanhecer, volta e meia passava por grupos de militares, muitos em frente ao palácio presidencial, mas nem por verem um ocidental de bicicleta, com um ar um pouco acabado alteraram as suas rotinas. Era a chegada antecipada ao ocidente, onde tantas vezes passamos sem sermos notados, sombras mesmo durante a noite.
Chegar a BKK é sempre bom, tanto na chegada como na partida. É voltar a um ambiente conhecido mas não muito, sempre com surpresas mas também com muitas rotinas….cheguei parei na rua do costume para uma panqueca e um sumo de tangerina para o pequeno almoço…khao sam não para J
Pequeno almoço foi seguido da procura por um hotel razoável (melhorado…) um bom banho e de dormir enquanto via um filme….BKK já não estava tão quente…quer dizer já se conseguia andar com calças à noite…tirando isso tudo igual…o transito, a poluição, as orquídeas, os cafés, a comida, os sumos e as pessoas..de todos os lados de todas as formas e feitios de todas as cores. Encontram-se os turistas em busca de aventura, em busca de praia, em busca de cultura, em busca de sexo, em busca de drogas, fundamentalmente em busca…
Os últimos dias foram vividos intensamente, pelo menos foram muito vividos e revividos várias vezes, foram também dias de reflexão, dias para pensar em quase tudo…para me perder e para me voltar a encontrar….o resto continuo outro dia….

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Don Det - Don Daeng

A viagem ia ser uma repeticao mas em sentido contrario. Don Daeng e outra ilha mas que fica em frente a Champassac, ja perto de pakse onde espero apanhar o aviao para banguecoque (com as recentes confusoes so posso dizer espero). Tudo parecia bem, tinha chuvido um dia e o tempo estava bom e o unico problema era a falta de musica (sem lectrecidade nao deu para carregar). Sabia que tinha pela frente 120 km mas que a estrada era boa. A estrada continuava boa, mas o vento nao parou o caminho todo, sempre contra, o vento no sentido norte sul e eu sul norte. Foi mais uma vez duro, mas sabia que tinha um fim e tinha um objectivo, passar os 2000 km. Ja vou em 2100 ! AInda cedo cheguei ao porto onde estavam os barcos para champassac, mas estava cansado. A media na bicla tinha sido boa (19,5 km/h) mas foi sempre a custa de um grande esforco porque o vento nunca parou. Perguntei por um barco para Don Daeng e disseram-me para ir paraoutro porto mais pequeno a 50 metros. Voltei a perguntar varias veze se pouco depois estava num barco. Sabia que Don Daeng seria a ilha mais basica apenas com um hotel caro (100 dolors por noite) e uma community guest house, uma casa comunitaria para turistas. Sabia que qd chegasse tinha que ir para norte e para o outro lado da ilha. Fui ter a um porto pequeno e pus-me a caminho, para norte. Andei andei e nada. Ninguem falava ingles, o dia estava a terminar, e para alem dos 120 ja tinha feito quase mais 20, fazendo 140...queria descansar e um banho. A unica pessoa com quem consegui comunicar (arranjei um livro com umas frases em lao para mostrar nestas situacoes) apenas dizia para voltar para traz. So depois percebi, se em vez de virar para norte tivesse virado para sul, percebia que estava em champassac que ja conhecia e nao em Don Daeng!! Tinha muitas guest houses e retaurantes e nao precisava de ter feito os ultimos 20 km, mas a verdade e que ir por aquele caminho foi das melhores coisas que fiz, era mesmo muito bonito. Asseguir foi banho comer e dormir, ate ao dia seguinte. O dia seguinte ainda tinha mais vento. Tanto que depois de mandar o meu primeiro mail, a ilha ficou sem energia electrica (acho que caiu um poste) e eu sem net. Consegui um barco para Don Daeng. Chegue-se a uma praia de areia banca, areia fina que com o vento me deixou cheio de po. Depois de empurrar a bicicleta cheguei a estrada que procurava no dia anterior ate a primeira aldeia. Depois foi tentar arranjar alguem que coseguisse falar qq coisa de ingles ate que apareceu o responsavel pela casa comunitaria. Era mesmo basica, colchao no chao, lencol, cobertor que fica frio e mosquiteiro. Casa de banho la fora e uma estrutura de madeira para as refeicoes. Tinha dois quartos grandes, um para homens e outro para mulheres. Eu era o unico. Alias ao passear pela ilha ( a bicicleta e m,esmo muito util) parecia mesmo que era o primeiro. A ilha era mesmo bonita, tudo funcionava, ou parecia. As casas eram em madeira, mas grandes, com jardins, com flores, animais apenas de estimacao bem cuidados, hortas familiares, criancas a brincar, escola a funcionar com centenas de alunos a sair ao fim do dia de uniforme e bicicleta, as raparigas com guarda chuva colorido a protejer do sal, templos em todas as aldeias e algumas motas. Aqui naos ha carros apenas poucas motas, a estrada tem um metro de largura nos locais mais largos. A ilha tem 8 por 6 km. E outro paraiso perdido, a meio dia de bangkok, de vientiena, perto do cambodja e do vietnam. (Conheci um frances em champassac que tinha alugado uma casa e ia para la morar, trabalhava via net e a mulher ia abrir uma casa de massagens...fiquei com uma certa inveja...). Estava apenas eu, quando voltei a "casa" estava cheio de roupas ocidentais a secar e o "meu quarto" tinha mais 3 camas. Pouco depois encontrei um ocidental caminhar. Parei para conversar e ele era americano e um pouco estranho por isso segui caminho. As seis estava combinado jantar e as seia eu estava la. Pouco depois chegou um grupo grande, um casal de australianos, umcasal de irlandeses muito simpatico, e 4 raparigas, 2 austriacas simpaticas e 2 belgas muito muito simpaticas. Vinham a fazer canoagem desde pakse com dois guias claro e no dia seguinte iam a champassac e ficavam ali a dormir. Como faziam aprte de uma actividade organizada tinham para alem da comida tambem cerveja ja paga. Era tudo boa gente menos o americano. Ninguem conseguia estabelecer um dialogo com a criatura e ele era mesmo mal educado ate ter ficado todo o jantar sem dizer uma palavra levantar-se e ir dormir sem dizer nada, que e sempre estranho qd se esta onde se estava: numa casa de madeira, numa praia numa ilha no mekong, com as unicas pessoas com quem podia comunicar e as unicas pessoas que estavam por la, mas tudo bem. E claro que o resto ficou ate mais tarde, na conversa a brindar com os guias, a espera que os guias fossem dormir para atacar a grade das cervejas, a rir e contar historias. Eu fui o ultimo a ir deitar. O pessoal deve ter feito muito barulho porque qd so estava eu vejo o americano irritadisimno no restaurante, sozinho a barafustar....foi dormir para o templo...qd soube disso tive uma vontade de rir...bem historias que infelizmente estao a acabar.

Don Det

Don Det

Don Det e uma ilha perdida no mekong do sul do Laos, a 10 km da fronteira com o Cambodja. Ainda agora a ilha e autossuficiente apesar de ser 10x6 km. Tem uma estrada em terra batida onde pode passar um tractor e este e as motas sao os unicos veiculos motorizados. Junto ao rio ficam as pequenas aldeias e o interior sao campos de arroz. A vida nao podia ser mais pacata, principalmente depois da colheita do arroz. Os animais estao em toda a parte e nao sei se combinaram mas nasceram todos ao mesmo tempo, caes, gatos, vacas, bufalos, galinhas, porcos e ate macacos recem nascidos por toda a ilha. As criancas brincam com os cachorrinhos como se fossem brinquedos, andam com eles ao colo, as costas, pegam so por uma pata, ate banho lhes dao no rio. Passei 5 dias aqui. O meu bangalow tinha uma varanda e uma cama de rede e ficava em cima do rio. O quarto era uma cama e um mosquiteiro. As casa de banho ficavam do outro lado do caminho e o chuveiro durante 5 dias foi o rio. Mais basico ao podia ser, o preco era barato tambem e acaba por dar a ideia que nao e preciso dinheiro e desnecessario ali, pode-se ficar por muito tempo e isso da uma boa sensacao de liberdade. O cafe da manha era tomado por volta das seis e meia na varanda, o primeiro cafe, sempre na companhia de algum animal que aparecia, ou um gato branco e preto, ou um cao muito simpatico mas quase sem pelo de tanto se cocar por causa das pulgas, ou alguma galinha e um dia ate um bufalo apareceu a espreitar, nao ha nada melhor para cortar a erva do quintal... O centro da vila e agitado para o local mas acaba por ser bom para o turista, tem restaurantes onde se come bem, tem internet basica (demasiado basica), pode-se trocar dinheirto, umas agencias de viagens e o porto onde param os barcos. A electricidade funciona das 18 as 21 horas quase todos os dias....O resto da ilha esta perdida no tempo. E claro que se pode ir ver golfinhos no mekong, pode-se ir ver uma grande queda de agua no rio que marca a fronteira com o cambodja, mas o melhor mesmo e nao fazer nada para alem de dormir, comer e ler um bom livro. Don Det e daqueles sitios em que se esta muito bem a ver o rio, o templo em frente, os barcos a passar, os pescadores, por vezes turistas em viagens organizadas (que ao ver pessoas numa casa local desatam a tirar fotografias ate repararem que eu nao sou propriamente uma atracao turistica, eu respondo sabadi e riu-me), e a rotina do banho...tudo se passa no rio. Vivi como qualquer habitante da ilha por cinco dias na companhia do Unai, o espanhol com quem fiz a viagem ate don det. Fiquei no total 5 noites, foi o local onde fiquei mais noites. Fiquei a conhecer toda a familia (os hoteis sao todos muito familiares, no fundo e uma familia que constroi uns bangalows o terreno), a mulher que fazia a maior parte do trabalho e falava ingles, o marido, os irmaos e irmas, os filhos e a mae. A avo da familia qd me ia despedir, depois de pagar, agarrou-se a mim deu-me um abraco e dizia para nao ir, dizia nao devia ir, ou estava mesmo triste ou fingia bem, parecia quase que chorava, antes de me ir foi buscar uma pulseira para por no meu pulso para me dar boa sorte.

sábado, 22 de novembro de 2008

Pakse - Champasak

Pelo guia eram 50 km. Tudo aqui fica ao longo da estrada por isso ia sem prestar atencao ao mapa, a pensar qd me estiver a aproximar vej melhor. 50 km num dia nao e muito, e bastante acessivel por isso parti tarde e sem preocupacoes...qd ja tinha feito 50 km comecei a ver melhor o mapa.... bem nem podem imaginar o erro...tinha de ter virado no km 30 e ja ia no 54...tinha de voltar a fazer o caminho quase todo no sentido inverso...o que deveria ser apenas 50 km transformou-se em 90!!! muito diferente em cima de uma bicla!
Champasak fica numa ilha no sul do laos, uma ilha no mekong. A maior atracao saoos templos, principalmente um grande complexo da altura dos kmers, ou seja da mesma epoca dos tempos de angkor vat e em tudo semelhante. Nao tem a imponencia de angkor mas mesmo assim e muito bonito e interessante e valeu a pena ter ido la. era suposto ficar so um dia, mas como no primeiro cheguei demasiado tarde decidi ficar dois dias para ver o templo com calma. O resto do dia foi passado a ler com um sumo de fruta na mao (varios sumos de fruta) e um bom livro - Tres Chavenas de Cha - Muito muito bom, mas com um problema. O livro foi comprado aqui em segunda mao, em ingles (depois de dois meses ja penso em ingles e tudo por isso sem problema) mas alem de nas ultimas paginas ter uns comentarios idiotas feitos por alguem, esse mesmo idiota arrancou as duas ultimas paginas do Livro!!!!
No dia seguinte, voltei a encontrar alguns turistas conhecidos, um casal de alemaes antes do pequeno almoco que me disseram que o anui estava por la e que estava a ver se me encontrava para fazer-mos a viagem ate as ilhas juntos. Perfeito pensei, vou variar do Ipod. La o encontrei e partimos ainda eram oito. O inicio foi muito bom para mim, estou em forma e ele notou isso hehe e eu como ando sempre sozinho nao noto, ele como tem andado com mais gente notou...isso fez-me sentir mesmo muito bem. Pelo caminho encontramos um grande grupo de cicloturistas numa viagem organizada, ingleses e mesmo assim simpaticos :) e sem querer iamos, iamos nao, provocamos um acidente, eu perguntei se ele queria parar para beber, ele travaou ligeiramente, a mulher que ia ao lado dele travou a fundo e derrapou mas aguentou-se, mas o ciclista que ia atras dela albarroou-a completamente, espalharam-se na estrada mas sem problema...mas haviam de ver estavamos numa aldeia, e o pessoal ao ver um falang a cair desatou a rir, riu-se a aldeia como uns perdidos...O restodo caminho eu ja me sentia mais cansado e fomos ao mesmo ritmo, mas sempre rapido, media de 22 km/h o que significa com as paragens e alturas que temos de abrandar por algum motivo que iamos sempre acima de 25km/h muito bom mesmo. O almoco foi dos melhores. Km sem ver ninguem e derrepente um barraco, decidi parar e estavam 3 turistas, dois americanos e um espanhol que tinham pedido boleia e estavam a almocar com o pessoal que lhes tinha dado boleia. Eram do Laos mas com dinheiro e um bom carro, tinham um filho a estudar nos estados unidos na mesma terra do americano...coincidencias...o espanhol era de vigo e chamava-se carlos...o almoco foi de borla, carne, arroz, e cerveja e depois de cheios...estavamos esfomeados patimos novamente. A viagem custou, foi outra vez 120 km...(ja estou em 1900 e qq coisa) mas compensou...cheguei ao paraiso...ou perto disso, mas cheguei apenas ontem e ainda sao nove da manha pelo que ainda nao deu para ter uma ideia muito certa. Estou em Don Det, uma das ilhas do mekong, na zona conhecida por 4000 ilhas. O meu quarto custa 1,2 euros, e e apenas uma cama e um mosquiteiro, mas tem varanda e cama de rede. Fica em cima do rio que e onde tomo banho. Em frente, do outro lado um templo no meio de coqueiros...acho que descobri outro dos paraisos, que vou conhecendo enquanto viajo e vou ficar aqui uns dias...depois se vera.

Cara conceicao ha algumas coisas importantes trazer para o Laos. Primeiro alguma paciencia e um sorriso, resolve quase tudo. E imprescindivel ter uma lanterna, medicacao basica como anti inflamatorio, analgesico, desinfectante, medicacao para enjoos, e claro profilaxia contra a malaria. Quem usar lentes de contacto tb nao as vai encontrar aqui (mas encontra em BKK mais baratas).Toalha tb e preciso porque alguns locais so tem acomodacao muito basica e pode faltar e or isso saco cama tambem. uma mulher tem de trazer tudo o que precisa que aqui nao ha muitas disponibilidade. Sitios imprescindiveis depende do objectivo. Tribos e no norte, Em Luang Nan Tha e principalmente na terra que eu referi numa das mensagens. Culturalmente o High Light e Luang Prabang, nao so do laos como do sudueste asiatico. A capital e agradavel mas nao fabulosa. Para relaxar nada melhor que onde estou, don det e veng vieng no norte. O resto e descobrir.
Laos 2008 RAW